Recomendo ler antes o post 1.
Nenhum exame dispensa o exame clínico, ou seja, o exame de nossas mamas e de nosso estado geral de saúde por um médico. Além de conhecer nosso histórico clínico – pessoal e familiar –, ele pode revelar sintomas que não aparecem noutros exames.
Dito isso, vejamos por que, na relação custo/benefício, a mamografia ainda é o melhor exame por imagem que se conhece.
Além de ser bastante eficaz na detecção de nódulos e massas mínimas, é o único exame que consegue detectar microcalcificações. E o que são microcalcificações? Ao contrário das macrocalcificações, que são grandes depósitos de cálcio, e em regra, sinais de benignidade, as microcalcificações são depósitos bem pequenininhos de cálcio, os quais, dependendo da forma como se apresentam na mamografia, podem estar alertando o médico da seguinte forma: “Olhe, aqui por perto, existe um “bandido” escondido!”
O “bandido”, numa metáfora muito empregada pelo oncologista Antônio Carlos Buzaid, é um câncer. Caso a biópsia confirme a informação (pois só ela tem a última palavra) o câncer que está escondido é um carcinoma ductal in situ, e pois, um tumor em estágio clínico inicial, com todas as chances de cura. In situ quer dizer que ele está ali, confinado, escondidinho na mucosa onde surgiu.
Em termos práticos, isso significa que o “bandido” pode ser expulso definitivamente sem maiores dificuldades pois não possui ainda a capacidade de invadir (infiltrar) os tecidos mamários vizinhos nem espalhar a doença no corpo através de metástase. Aliás, se nada o estimular a “sair do armário”, pode ser que ele permaneça assim, preso na mucosa onde surgiu, durante anos, décadas, ou até mesmo que nunca se torne invasivo (infiltrante).
Existem diferentes tipos de tumor e de velocidade em relação ao câncer de mama. Por causa de suas características, muitos especialistas não consideram o carcinoma mamário in situ ainda um verdadeiro câncer, mas sim, um pré-câncer, um precursor de câncer, uma alteração pré-maligna. Principalmente se for um carcinoma lobular in situ (também chamado de “neoplasia lobular in situ”).
Só os carcinomas ductais in situ (não os lobulares in situ) costumam deixar pista de sua existência através de certos tipos e arranjos de microcalcificações (ou de fibrose em torno de ducto). Mas, quando se sabe que a maioria esmagadora dos cânceres de mama (mais de 80%!) são carcinomas ductais e que a cura é relativamente simples e sem seqüelas quando eles são flagrados in situ, dá pra se ter uma idéia, só por isso, da importância da mamografia.
Bem, a pergunta que se impõe agora é a seguinte: a mamografia não falha nunca? Falha, sim. Todo exame tem limitações. Estima-se em 10% o percentual de falhas da mamografia, mesmo quando os exames são feitos com bom material, bons profissionais e são bem interpretados. O risco de falhas se eleva ainda mais nas seguintes situações:
· Quando a mulher tem as mamas densas (compactas, com mais tecido fibroglandular do que gorduroso). – Em geral isso ocorre quando ela tem menos de 35 ou 40 anos ou quando, sendo mais velha, faz terapia de reposição hormonal (TRH). No caso de mulher jovem, sem queixa nem história de câncer de mama com fator hereditário, os especialistas recomendam apenas o auto-exame, o exame clínico e a ultra-sonografia como medidas de rastreamento para a detecção precoce do câncer. Quando, porém, sendo jovem ou idosa, a mulher tem casos de câncer de mama ou ovário em parentes próximos, estudos recentes têm revelado que a ressonância magnética é de grande utilidade. No caso de mulher que faz reposição hormonal, eles recomendam que se complemente a mamografia com ultra-sonografia e/ou ressonância magnética.
· Quando a mulher tem implante de prótese mamária (geralmente de silicone). – Nesse caso, como a prótese dificulta a completa visualização dos tecidos mamários, os especialistas recomendam que a mamografia seja feita com o máximo de recursos técnicos disponíveis. Estudos também informam que existe a possibilidade de a prótese se romper silenciosamente, sem apresentar sinais, e que nesse caso há rompimentos que só são detectados com ultra-sonografia, e outros ainda que só são detectados com ressonância magnética.
Há um método moderno, a mamografia digital, no qual as imagens mamográficas são captadas através de um detector eletrônico de raios X, o que permite manipulá-las a fim de tornar as alterações mamárias mais visíveis.
As principais vantagens da mamografia digital são: menor dose de radiação, resolução e contraste superiores, menor necessidade de repetição do exame e mais opções para o arquivamento, manipulação e tele-radiologia das imagens.
Estudos revelam que a mamografia digital é mais eficiente que a mamografia convencional nas mulheres com mamas densas, que tenham menos de 50 anos e nas que têm implante de prótese mamária.
A detecção assistida por computador, conhecida pela sigla em inglês CAD (Computer Aided Detection), é uma técnica que tanto pode complementar a mamografia digital como a convencional. Nela, o radiologista lê a mamografia como de costume; em seguida, o aparelho detector digitaliza os filmes ou imagens e graças a um programa especial coloca marcadores nos lugares onde há imagens suspeitas a fim de serem reexaminadas posteriormente.
É importante destacar que a detecção assistida por computador é mais sensível para as microcalcificações do que para as massas.
Segundo alguns estudos, essa técnica permite flagrar a maior parte dos cânceres que não são detectados nas mamografias onde o programa não é utilizado.
No propósito de otimizar a mamografia, não deixe de verificar se o serviço que você utiliza tem o selo de qualidade emitido pelo CBR do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), com validade de três anos. Para obter a lista das clínicas brasileiras aprovadas no programa de certificação de qualidade do CBR, basta acessar o site da instituição na seção Programas de Qualidade/ Mamografia:
http://www.cbr.org.br/programasdequalidade/index.htm
Ultimamente, tem-se falado muito em ressonância magnética de mama e às vezes dá-se a impressão de que esse tipo de exame pode substituir a mamografia. Não pode. Assim como a ultra-sonografia, a ressonância magnética complementa muito bem a mamografia em diversas situações; mas, pelas razões que indiquei há pouco, nenhum desses exames substitui a mamografia até agora. Salvo no rastreamento (sem queixa ou sintoma) do câncer de mama em mulheres jovens com fator de risco hereditário para a doença.
Por ser bem mais sensível que a mamografia, a ressonância magnética detecta muito mais nódulos e massas que aquela; no entanto, por ser bem menos específica, produz muito mais resultados falso-positivos – ou seja, resultados que dizem que você muito provavelmente tem câncer quando na verdade não tem. Daí por que os médicos só recomendam o uso da ressonância magnética em situações bem definidas. Em geral eles restringem ainda mais o uso do PET scan, um exame caríssimo e de utilidade reservada apenas a alguns casos. Falaremos desses exames noutra oportunidade.
Finalizo este post me reportando a um anúncio divulgado no início do mês passado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica, ASCO. Trata-se de uma nova técnica de imagem para a detecção precoce do câncer de mama, conhecida pela sigla MBI (Molecular Breast Imaging), que em breve estará disponibilizada no mercado.
Em mulheres com alto risco de câncer de mama e tecidos mamários densos, o MBI detectou três vezes a quantidade de “tumores-difíceis-de-achar” detectada pela mamografia, segundo dados preliminares de um estudo em curso na Clínica Mayo (Rochester, Minn., EUA). O próximo passo, segundo os condutores do estudo, será compará-lo prospectivamente com outros métodos de rastreio, tais como a ressonância magnética. O MBI custará mais caro que a mamografia mas, ao que tudo indica, será bem mais barato que a ressonância magnética.
Continua no Post 3: Prevenção em situações normais e de risco elevado.
[...] Medo do câncer de mama?… Proteja-se de seu medo! (Post 2: Importância da mamografia) [...]
BOA TARDE,
QUANDO SERA A PUBLICACAO DO PET SCAN,UTILLIZADO COMO DETECTOR DE METASTASE NA MAMA?
[...] Medo do câncer de mama?… Proteja-se de seu medo! (Post 2: Importância da mamografia) [...]
[...] MEDO DO CÂNCER DE MAMA?… PROTEJA-SE DE SEU MEDO! (Post 2: Importância da mamografia) [...]
Fiz uma cirurgia plastica de mamoplastia em janeiro de 2007 e agora fiz uma mamografia em julho de 2009 e constatou Microcalcificaçãoes agrupadas a direita e tambem BI-RADS categoria 4 . estou com medo de ser cancer sera que é/?