Numa pesquisa da Universidade de Pittsburgh (EUA), publicada na edição deste mês da revista científica “Obstetrics & Ginecology”, a amamentação se mostra como um fator de proteção da mãe contra doenças cardiovasculares (e não apenas contra o câncer de mama).
Foram examinadas 139.681 mulheres inscritas no estudo de referência Iniciativa de Saúde das Mulheres (WHI, na sigla em inglês) com história de pelo menos um parto de bebê nascido vivo. Em média, essas mulheres tinham 63 anos e haviam amamentado 35 anos antes.
Comparando dois grupos, um de mulheres que amamentaram por um período cumulativo de mais de um ano, e o outro de mulheres que nunca amamentaram, o estudo mostrou que nas do primeiro grupo havia menos propensão a hipertensão arterial, diabetes mellitus (tipo 2), hiperlipidemia e doenças cardiovasculares que nas do segundo. Mesmo as mulheres que amamentaram por pelo menos um mês apresentaram risco mais reduzido para diabetes, hipercolesterolemia e hipertensão arterial do que aquelas que nunca amamentaram.
As causas dessa redução não estão claras mas os pesquisadores acreditam que podem ter a ver com a redução de depósitos de gordura e/ou com fatores hormonais.
O estudo utilizou metodologia rigorosa, levando em conta numerosas variáveis, como procedência étnica, idade, obesidade, terapias menopáusicas, doenças prévias e fatores socioeconômicos entre outras.
Seus autores observam que, embora a amamentação seja amplamente conhecida como benéfica para o bebê, dados dos CDC (Centers for Disease Control and Prevention) informam que, em 2004, só 11% das mães vivendo nos Estados Unidos alimentavam os filhos exclusivamente com leite humano durante os seis primeiros meses de vida da criança.
Eles lembram que existem estudos mostrando que as mulheres que amamentam tem um gasto calórico bem maior e perdem mais peso depois do parto que as que não amamentam; que a lactação melhora a tolerância à glicose e o metabolismo das gorduras e a proteina C-reativa, além de provocar outros efeitos benéficos de alcance mais longo. Para eles, esse estudo agora não é conclusivo, pois há muita coisa ainda a ser esclarecida, mas permite afirmar que a amamentação pode, sim, ter um papel significativo na redução do risco de doenças cardiovasculares.
“Isso implica – declaram – que recomendações às mulheres para que amamentem os bebês durante seu primeiro ano de vida deveriam ser apoiadas para o benefício da saúde tanto da mãe quanto da criança.”
Concordo e acho que devemos divulgar essa recomendação. Mas, e os empregadores?… E os legisladores?… O que devem fazer? A meu ver, a sociedade inteira tem de exercer pressão, exigindo que todos eles – não apenas alguns! – tomem consciência de suas responsabilidades em relação à saúde das mulheres e crianças deste País. É preciso que ofereçam às mães, a todas as mães que trabalham fora de casa, as condições necessárias para que possam, se assim o decidirem, amamentar prolongadamente seus filhos, beneficiando com isso toda a sociedade.
Por falar em responsabilidade social, ressalto que não esqueci (até já comentei aqui no blog) a lei federal 11.664, que está em vigência desde o dia 29 de abril e pela qual o SUS é compelido a ofertar mamografias preventivas a todas as mulheres a partir dos 40 anos e exame citopatológico de colo uterino a todas aquelas, de qualquer idade, que tenham vida sexual ativa. Voltarei a falar dela oportunamente. Acontece que passei a semana inteira “monopolizada” pelo lançamento de um projeto do qual sou co-autora: PRESERVAÇÃO DA MAMA, UMA RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL. Contarei tudo no próximo post.
*Fonte: Duration of Lactation and Risk Factors for Maternal Cardiovascular Disease, Schwarz E B et al, Obstetrics & Gynecology – May 2009, v. 113, issue 5
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