De acordo com a pesquisa “Câncer de Mama – Experiências e Percepções”, realizada pela Pfizer e divulgada no início deste mês, a maioria das brasileiras é influenciada por mitos e meias-verdades e descuida dos exames de rastreamento (prevenção, detecção precoce) quando se trata de câncer de mama. Foram entrevistadas mulheres sadias e acometidas pela doença, das classes A e B, em cinco capitais. A maioria acredita que o estresse é fator de risco do tumor e quase metade das sadias, 47%, diz que a causa seria emocional.
Na realidade, o câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, uma doença para a qual concorrem vários fatores. O estresse e as emoções de uma maneira geral podem influir, sim, no desenvolvimento do tumor mas só na medida em que produzam estados psicológicos capazes de alterar o equilíbrio hormonal e abaixar a vigilância do nosso sistema imunológico no combate às células cancerosas.
De acordo com a ciência atual, os fatores estabelecidos da doença giram, direta ou indiretamente, em torno de genes, hormônios, envelhecimento mamário e meio ambiente.
O fator genético-hereditário, assim considerado o que é constituído por mutações (alterações) herdadas no DNA da célula mamária, só tem influência predominante em no máximo 10% dos casos. Nos demais, predominam o fator sexo feminino, e portanto, hormonal (em 99% dos casos as vítimas são mulheres), a idade acima de 50 anos (patamar que, infelizmente, vem caindo para idades cada vez mais jovens) e os fatores ambientais de risco, aliados a um estilo de vida que inclui sedentarismo, uso deliberado de certas drogas e obesidade.
Entre os fatores hormonais internos, figuram como fatores de risco o fato de nunca ter parido ou parir tardiamente (depois dos 30 ou 35 anos), ter a primeira menstruação antes dos 11 anos e a menopausa após os 50 ou 55 anos.
Os fatores ambientais de risco são tudo aquilo que voluntária ou involuntariamente nosso corpo absorve e pode intoxicar o DNA da célula mamária, produzindo ou adicionando novas mutações a mutações já existentes, as quais, quando acumuladas, podem levar a célula a proliferar sem limite, formando tumor.
Os fatores ambientais de risco são constituídos por radiação, hormônios sexuais exógenos (não produzidos pelo corpo) e perturbadores endócrinos (substâncias imitadoras de hormônios que se acham presentes em numerosos produtos da indústria química, como os xenoestrógenos). Figuram entre eles diversos agrotóxicos, drogas, alimentos, bebidas e produtos de higiene e cuidados pessoais.
O coordenador da pesquisa a que acima me referi, o oncologista Sérgio Simon, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, afirma com razão que a reposição hormonal e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também devem ser evitados e a amamentação, estimulada, por ser fator de proteção.
Cabe, porém, a cada mulher, uma vez informada, gerir seus próprios fatores de risco. Há fatores imodificáveis, como o sexo e a idade por exemplo, e fatores que podem ser razoavelmente modificados sem comprometer severamente sua qualidade de vida. O peso dos fatores de risco é aferido no seu conjunto, uns pesando mais outros menos, de modo que é muito importante que cada pessoa discuta isso com seu médico.
Os cuidados com o meio ambiente, o estilo de vida e a detecção precoce são fundamentais. Daí por que não se deve nunca, sob nenhum pretexto, descuidar das mamografias anuais a partir dos 40 anos. Da mesma forma que não se deve descuidar das consultas médicas anuais e da inspeção regular das próprias mamas (autoexame ou autovigilância) a partir dos 20 anos – por toda a vida se possível for. Quem tem histórico familiar de câncer de mama e/ou ovário deve relatar isso ao médico e fazer exames mamográficos mais cedo. Via de regra, quanto mais cedo um câncer de mama é descoberto, maiores são as chances de cura. Também mais simples e menos mutilador é o tratamento.
*Fontes: Agência Estado, Abril.com, PHD Janet Gray et al, State of the Evidence – The Connection between Breast Cancer and the Environment 2008
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