Caros leitores
Tenho andado sumida estes dias por razões que explicarei depois com mais calma. Entre outras coisas, estou a mil com a campanha PRESERVAÇÃO DA MAMA, RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL, lançada pela promotora de justiça Ana Rúbia Torres de Carvalho e por mim através da ABRAMPA (Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente). Também estou lançando, no próximo dia 29, a 2ª edição de meu livro, Sem Medo do Câncer de Mama, e por isso, atarefadíssima. Segunda-feira estarei voando para o Canadá (Montreal), onde mora minha filha e onde tenho a intenção de desenvolver alguns contatos que possam ajudar o blog e a campanha. De lá voltarei a postar.
Li porém uma notícia (em newsletter) cuja divulgação não posso adiar. Como o texto – do ambientalista Henrique Cortez – é “copyleft”, vou reproduzi-la a seguir.
“Em num novo estudo [Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations] da Harvard School of Public Health (HSPH) pesquisadores descobriram que os participantes que, ao longo de uma semana, beberam em garrafas de policarbonato, comumente usado em garrafas plásticas e mamadeiras, apresentaram um aumento de dois terços da substância química bisfenol-A (BPA) na urina .
A exposição ao BPA, utilizado na fabricação de policarbonato e outros plásticos, pode interferir com a reprodução e desenvolvimento e também tem sido associada com doenças cardiovasculares e diabetes em seres humanos. O estudo é o primeiro a demonstrar que beber em garrafas de policarbonato (em garrafas plásticas o policarbonato pode ser identificado pelo código de reciclagem número 7) aumenta o nível de BPA na urina.
Estudos anteriores já haviam demonstrado que ferver garrafas plásticas acelera a liberação de substâncias tóxicas, mas este novo estudo demonstra que isto também ocorre durante o consumo de líquidos frios.
Numerosos estudos têm mostrado que o BPA age como um disruptor endócrino, incluindo o início precoce da maturação sexual, desenvolvimento e tecidos alterados na organização da glândula mamária e diminuição da produção espermática. Pode ser mais prejudicial nas etapas de desenvolvimento precoce.
Os dados do estudo são particularmente preocupantes, considerando que as crianças e adolescentes são grandes consumidores de bebidas envasadas em garrafas de policarbonato. Crianças e adolescentes são especialmente sensíveis à desregulação endócrina potencialmente causada pelo BPA.
O Canadá proibiu o uso de BPA em mamadeiras em 2008 e alguns fabricantes de garrafas de policarbonato, sob pressão dos consumidores, estão, voluntariamente, eliminando a presença do bisfenol-A em seus produtos. Com a crescente evidência dos potenciais efeitos nocivos do BPA em humanos e diante da contaminação mesmo em bebidas frias, também torna-se necessário investigar o efeito do BPA em lactentes, em distúrbios reprodutivos e no desenvolvimento do câncer de mama em adultos.
O estudo “Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations” foi publicado no Environmental Health Perspectives e está disponível para acesso integral no formato PDF. Para acessar o artigo clique aqui.
Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations. Carwile et al.
Environmental Health Perspectives, May 12, 2009; DOI: 10.1289/ehp.0900604
Todd Datz, Harvard School of Public Health
Para acessar a noss tag “bisfenol-A” clique aqui.
[EcoDebate, 25/05/2009]”
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Olá,
Gostaria de saber se o exame para detecção de BPA (Bisphenol-A) na urina existe no Brasil ou se ele é disponível apenas para fins de pesquisa. O médico pode solicitá-lo ?
Antecipadamente agradeço,
Alessandra