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No dia 14 deste mês, a CNN divulgou em seu site a seguinte notícia: “Novo estudo diz que mulheres que usam terapia hormonal após a menopausa [TH, TRH] podem estar em situação de risco mais alto para câncer de ovário, e o risco permanece elevado por até dois anos após pararem de tomar estrógeno (1*).”

Segundo o estudo – publicado em 8/07/2009 na prestigiada revista médica Journal of the American Medical Association (JAMA) –, numa terapia hormonal de menos de quatro anos, o risco é de 30% a 40%. Para alguns especialistas, trata-se de risco pequeno mas que não deve ser desconsiderado uma vez que o câncer de ovário comumente apresenta sintomas vagos e é mais difícil de ser diagnosticado de forma precoce que o de mama.

A autora da matéria, jornalista Denise Mann, lembra que a terapia hormonal menopáusica tem sido relacionada há algum tempo com danos à saúde e que parte de um estudo de longo prazo do governo americano, conhecido como WHI (sigla em inglês para “Iniciativa de Saúde das Mulheres”), foi interrompido em 2002 porque se constatou que as participantes que estavam tomando hormônios desde muito tempo corriam um risco aumentado para câncer de mama, derrame, doença cardíaca e trombose nos pulmões e nas pernas.

Desde então, informa Denise, “o uso de hormônios – que já foi oferecido a milhões de mulheres mais velhas para tratar sintomas da menopausa e potencialmente protegê-las contra doença cardíaca – caiu drasticamente. Os índices de câncer de mama também caíram, mais provavelmente por causa da diminuição do uso de hormônio a longo termo, dizem os especialistas.”

A menopausa, cumpre ressaltar, não é doença. O que acontece é que o corpo da mulher passa por flutuações hormonais até se adaptar a um status hormonal diferente daquele que tinha durante sua fase reprodutiva e isso pode gerar inconvenientes transitórios, como calorões, suores noturnos e secura vaginal. Há meios saudáveis de se enfrentar isso. Só em casos excepcionais se deve recorrer à terapia hormonal, e mesmo assim, na dose mais baixa e pelo tempo mais curto possível. Essa é a advertência que fazem especialistas e autores de estudos recentes como o americano WHI e o britânico MWS.

Como alternativa à terapia convencional, algumas mulheres estão se voltando agora para os chamados “hormônios bioidênticos”, feitos a partir de inhames selvagens e soja, por exemplo. O problema, para muitos especialistas, entre os quais a naturopata suíça Rina Nissim, é que esses hormônios vegetais, ao serem semi-sintetizados em laboratório, podem não ser tão seguros para a saúde quanto se os ingerirmos através da alimentação. Não há estudos suficientes quanto a isso.

Também é preciso levar em conta que nem toda planta é segura somente por ser um vegetal. A Cimicifuga racemosa ou Cohosh negro, por ex., é uma planta medicinal nativa da América do Norte muito utilizada em produtos fitoterápicos como alternativa à terapia hormonal menopáusica. No entanto, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), existe, desde 2006, um alerta da agência reguladora européia (Emea) sobre uma potencial conexão entre produtos fitoterápicos contendo Cimicifuga racemosa e intoxicação no figado, em alguns casos de natureza grave (2*). 

(1*) CNN.Health.com: Study: Hormone Therapy increases risk of ovarian cancer

(2*) Anvisa: Alertas Federais de Farmacovigilancia – 26 de julho de 2006

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NOVIDADES NA REPOSIÇÃO HORMONAL – 1ª Parte

NOVIDADES NA REPOSIÇÃO HORMONAL – 2ª parte

NOVIDADES NA REPOSIÇÃO HORMONAL – Última Parte

No site que mantém sobre o meio ambiente, o governo canadense traz importantes revelações acerca dos impactos biológicos que podem ser produzidos pelas substâncias químicas conhecidas como perturbadores, disruptores ou desreguladores do sistema endócrino.

Num de seus informativos*, ele afirma que, recentemente, os pesquisadores descobriram uma variedade de perturbações nos sistemas endócrinos de peixes e da fauna de várias regiões do mundo, inclusive do Canadá, e que isso se tornou um fato preocupante nos últimos anos.

Avisa ainda que tais substâncias, mesmo nos baixos níveis em que comumente são encontradas no meio ambiente, podem causar impacto biológico no crescimento, na reprodução e no desenvolvimento de numerosas espécies, entre estas os mamíferos.

Pois bem, dois fatos me têm chamado a atenção durante esta minha estada de dois meses no Canadá. Um deles é a proibição legal, desde outubro do ano passado, de se utilizar BPA (bisfenol-A) no plástico das mamadeiras. O outro é a apreensão com que se aguarda aqui o desenrolar do caso Dow Chemical Company (Spraytech & ChemLawn) versus Hudson, agora com Dow Chemical atacando o Canadá em Câmara Arbitral internacional. Seja qual for o resultado (esperamos que se dê ganho de causa ao Canadá!), este será emblemático.

Hudson é um pequeno município canadense, situado aqui no Quebec, bem pertinho de Montreal. Há alguns anos, ele editou uma lei restringindo o uso do herbicida 2,4-D (ácido 2,4 diclorofenoxiacético), produzido por Dow AgroSciences, subsidiária de Dow Chemical Company. A conhecida corporação moveu uma ação judicial contra Hudson mas perdeu na Suprema Corte. Em razão disso, levou o Canadá à Câmara de Arbitragem do NAFTA, alegando violação dos princípios daquele tratado internacional de comércio uma vez que o herbicida 2,4-D é exportado, produzido e utilizado nos EUA sem restrições. O Canadá contesta vigorosamente afirmando que tem o direito de defender com autonomia seu meio ambiente e a saúde de seus cidadãos.

Tanto o BPA como o herbicida 2,4-D são perturbadores endócrinos do tipo xenoestrógeno, isto é, do tipo que imita os efeitos do hormônio feminino estrógeno. Todos dois são cancerígenos e podem produzir os mais diversos impactos biológicos – no curto, no médio e no longo prazo.

* (1) Endocrine Disrupting Substances (EDS) 

Para saber mais sobre BPA:

Um veneno chamado bisfenol  (entrevista de Luiz Jacques Saldanha)

Mamadeiras com BPA banidas no Canadá (e EUA)

Nova pesquisa reafirma a relação entre exposição química e câncer de mamabisfenol-A, (artigo de Henrique Cortez).

AUSÊNCIA

Caros leitores,

Perdão pela ausência. Como já disse, estou no Canadá visitando minha filha e não tenho encontrado tempo para postar. Mas tenho novidades. Quando voltar (início de agosto) prometo atualizar o blog.

Abração e até lá!

Maristela.

Caros leitores

Antes de tudo, peco desculpas pelo sumico. Estou no Canada e nao consegui ainda adaptar este teclado para o portugues (sou mesmo meio jurassica nessas coisas).

Diante, porem, das ultimas noticias sobre o sistematico desmonte de nossa politica ambiental – tanto pelo Executivo como pelo Congresso -, com esperado impacto, no medio e no longo prazo,  na relacao entre meio ambiente e saude, decidi reproduzir aqui uma nota publica, enviada pelo colega Fernando Barreto Junior, do Ministerio Publico do Maranhao, ao portal EcoDebate. Os fatos nela sumarizados e denunciados exigem, sem sombra de duvida, reflexao e atitudes cidadàs da parte de toda a sociedade brasileira.

Eis a nota em seu inteiro teor:

As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar. É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas. Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida – e piorada – na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar. Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal. Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 05 de junho de 2009.

Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE
Via Campesina Brasil
WWF Brasil

* Nota Pública enviada por Fernando Barreto Junior, Promotor de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio Cultural do Ministério Público do Maranhão, colaborador e articulista do EcoDebate

[EcoDebate, 06/06/2009]

Notícia transmitida hoje (28/05/2009) pelo plantão on line do Globo* traz notícias interessantes sobre novas medicações de combate ao câncer. Uma delas se refere a um novo tratamento para o câncer de mama HER2 positivo, que corresponde a mais de 25% de todos os casos.

Segundo o fabricante, Roche, dados de um teste clínico em estágio intermediário (e, portanto, que se aproxima da fase de comercialização) mostraram que uma droga nova, criada por ele, ajudou a reduzir tumores desse tipo em 25% das mulheres testadas. Esses e outros dados sobre drogas anticâncer em testes clínicos serão apresentados pela Roche e a Novartis em reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

Segundo a Roche, seu novo tratamento, que é uma combinação da já conhecida droga Herceptin (trastuzumab) com uma quimioterapia chamada trastuzumab-DM1, fez encolher os tumores ou estabilizou a doença em 35% das pacientes por pelo menos seis meses.

A notícia não esclarece se os tumores já eram metastáticos. Se eram, o progresso do tratamento é de fato notável.

Sabe-se desde alguns anos que o uso de Herceptin, quando introduzido no tratamento desde a primeira sessão de quimioterapia, aumenta consideravelmente as chances de cura em mulheres (ou homens – é raro mas acontece) que estejam acometidas de câncer de mama desse tipo. Lamentavelmente, o SUS não financia o tratamento, e sequer o teste histoquímico que permite saber se o tumor é positivo para HER2. Só se for compelido por decisão judicial. Absolutamente revoltante!

*Fonte: Reuters/Brasil Online

Caros leitores

Tenho andado sumida estes dias por razões que explicarei depois com mais calma. Entre outras coisas, estou a mil com a campanha PRESERVAÇÃO DA MAMA, RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL, lançada pela promotora de justiça Ana Rúbia Torres de Carvalho e por mim através da ABRAMPA (Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente). Também estou lançando, no próximo dia 29, a 2ª edição de meu livro, Sem Medo do Câncer de Mama, e por isso, atarefadíssima. Segunda-feira estarei voando para o Canadá (Montreal), onde mora minha filha e onde tenho a intenção de desenvolver alguns contatos que possam ajudar o blog e a campanha. De lá voltarei a postar.

Li porém uma notícia (em newsletter) cuja divulgação não posso adiar. Como o texto – do ambientalista Henrique Cortez – é “copyleft”, vou reproduzi-la a seguir.

“Em num novo estudo [Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations] da Harvard School of Public Health (HSPH) pesquisadores descobriram que os participantes que, ao longo de uma semana, beberam em garrafas de policarbonato, comumente usado em garrafas plásticas e mamadeiras, apresentaram um aumento de dois terços da substância química bisfenol-A (BPA) na urina .

A exposição ao BPA, utilizado na fabricação de policarbonato e outros plásticos, pode interferir com a reprodução e desenvolvimento e também tem sido associada com doenças cardiovasculares e diabetes em seres humanos. O estudo é o primeiro a demonstrar que beber em garrafas de policarbonato (em garrafas plásticas o policarbonato pode ser identificado pelo código de reciclagem número 7) aumenta o nível de BPA na urina.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que ferver garrafas plásticas acelera a liberação de substâncias tóxicas, mas este novo estudo demonstra que isto também ocorre durante o consumo de líquidos frios.

Numerosos estudos têm mostrado que o BPA age como um disruptor endócrino, incluindo o início precoce da maturação sexual, desenvolvimento e tecidos alterados na organização da glândula mamária e diminuição da produção espermática. Pode ser mais prejudicial nas etapas de desenvolvimento precoce.

Os dados do estudo são particularmente preocupantes, considerando que as crianças e adolescentes são grandes consumidores de bebidas envasadas em garrafas de policarbonato. Crianças e adolescentes são especialmente sensíveis à desregulação endócrina potencialmente causada pelo BPA.

O Canadá proibiu o uso de BPA em mamadeiras em 2008 e alguns fabricantes de garrafas de policarbonato, sob pressão dos consumidores, estão, voluntariamente, eliminando a presença do bisfenol-A em seus produtos. Com a crescente evidência dos potenciais efeitos nocivos do BPA em humanos e diante da contaminação mesmo em bebidas frias, também torna-se necessário investigar o efeito do BPA em lactentes, em distúrbios reprodutivos e no desenvolvimento do câncer de mama em adultos.

O estudo “Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations” foi publicado no Environmental Health Perspectives e está disponível para acesso integral no formato PDF. Para acessar o artigo clique aqui.

Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations. Carwile et al.
Environmental Health Perspectives, May 12, 2009; DOI: 10.1289/ehp.0900604
Todd Datz, Harvard School of Public Health

Para acessar a noss tag “bisfenol-A” clique aqui.

[EcoDebate, 25/05/2009]”

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De acordo com a pesquisa “Câncer de Mama – Experiências e Percepções”, realizada pela Pfizer e divulgada no início deste mês, a maioria das brasileiras é influenciada por mitos e meias-verdades e descuida dos exames de rastreamento (prevenção, detecção precoce) quando se trata de câncer de mama. Foram entrevistadas mulheres sadias e acometidas pela doença, das classes A e B, em cinco capitais. A maioria acredita que o estresse é fator de risco do tumor e quase metade das sadias, 47%, diz que a causa seria emocional.

Na realidade, o câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, uma doença para a qual concorrem vários fatores. O estresse e as emoções de uma maneira geral podem influir, sim, no desenvolvimento do tumor mas só na medida em que produzam estados psicológicos capazes de alterar o equilíbrio hormonal e abaixar a vigilância do nosso sistema imunológico no combate às células cancerosas.   

De acordo com a ciência atual, os fatores estabelecidos da doença giram, direta ou indiretamente, em torno de genes, hormônios, envelhecimento mamário e meio ambiente.

O fator genético-hereditário, assim considerado o que é constituído por mutações (alterações) herdadas no DNA da célula mamária, só tem influência predominante em no máximo 10% dos casos. Nos demais, predominam o fator sexo feminino, e portanto, hormonal (em 99% dos casos as vítimas são mulheres), a idade acima de 50 anos (patamar que, infelizmente, vem caindo para idades cada vez mais jovens) e os fatores ambientais de risco, aliados a um estilo de vida que inclui sedentarismo, uso deliberado de certas drogas e obesidade.

Entre os fatores hormonais internos, figuram como fatores de risco o fato de nunca ter parido ou parir  tardiamente (depois dos 30 ou 35 anos), ter a primeira menstruação antes dos 11 anos e a menopausa após os 50 ou 55 anos.

Os fatores ambientais de risco são tudo aquilo que voluntária ou involuntariamente nosso corpo absorve e pode intoxicar o DNA da célula mamária, produzindo ou adicionando novas mutações a mutações já existentes, as quais, quando acumuladas, podem levar a célula a proliferar sem limite, formando tumor.

Os fatores ambientais de risco são constituídos por radiação, hormônios sexuais exógenos (não produzidos pelo corpo) e perturbadores endócrinos (substâncias imitadoras de hormônios que se acham presentes em numerosos produtos da indústria química, como os xenoestrógenos). Figuram entre eles diversos agrotóxicos, drogas, alimentos, bebidas e produtos de higiene e cuidados pessoais.

O coordenador da pesquisa a que acima me referi, o oncologista Sérgio Simon, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, afirma com razão que a reposição hormonal e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também devem ser evitados e a amamentação, estimulada, por ser fator de proteção.

Cabe, porém, a cada mulher, uma vez informada, gerir seus próprios fatores de risco. Há fatores imodificáveis, como o sexo e a idade por exemplo, e fatores que podem ser razoavelmente modificados sem comprometer severamente sua qualidade de vida. O peso dos fatores de risco é aferido no seu conjunto, uns pesando mais outros menos, de modo que é muito importante que cada pessoa discuta isso com seu médico.

Os cuidados com o meio ambiente, o estilo de vida e a detecção precoce são fundamentais. Daí por que não se deve nunca, sob nenhum pretexto, descuidar das mamografias anuais a partir dos 40 anos. Da mesma forma que não se deve descuidar das consultas médicas anuais e da inspeção regular das próprias mamas (autoexame ou autovigilância) a partir dos 20 anos – por toda a vida se possível for. Quem tem histórico familiar de câncer de mama e/ou ovário deve relatar isso ao médico e fazer exames mamográficos mais cedo. Via de regra, quanto mais cedo um câncer de mama é descoberto, maiores são as chances de cura. Também mais simples e menos mutilador é o tratamento.

*Fontes: Agência Estado, Abril.com, PHD Janet Gray et al, State of the Evidence – The Connection between Breast Cancer and the Environment 2008

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